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Campo Minado

– Pereira da Silva, Pereirinha –

Ecos do Passado XI

 

O ano é 199…Movimentos nervosos se espalham e tomam conta da cidade e sabem por quê? Há uma certa rivalidade, a princípio enevoada, sem contornos identificatórios, entre as metrópoles Rio e São Paulo. Nesta trabalha-se duro pela sobrevivência. São pessoas simples, sem noção da importância de seu trabalho para a grandeza do estado e da metrópole, cuja população cresce desmedidamente, gerando problemas mas também riqueza. Mas é importante que se registre que esse crescimento de trabalho, com suas fábricas, indústrias, comércio, também gera desigualdades sociais, com muitos ricos desfrutando do suor, lágrimas e sangue dos pobres trabalhadores, que lutam diariamente para ganhar o pão de cada dia. Os ricos, embora dispunham de tudo, ou quase tudo que a vida lhe oferece, vivem sôfregos, angustiados, na luta para garantirem e aumentarem os respectivos patrimônios.
A questão é a seguinte: nenhuma nem outra cidade quer perder o status quo. E seus homens e mulheres trabalham…trabalham. A Bolsa de Valores, o mercado financeiro, os bancos e os investimentos lucrativos estão no centro dessa demanda por prestígio e mais dinheiro. Luiz quer voltar a ser o que era antes, quer entrar nessa guerra, mas está indeciso. Reflete e busca os meios que lhe permitam reingressar no ambiente de negócios ao qual pertencera por longos anos. Esse ambiente de gente endinheirada, do qual Luiz se afastou de maneira inexplicável, se encontrava em efervescência, numa luta intestina, envolvendo agentes financeiros públicos e privados, e o campo minado poderia causar  graves consequências ao corretor de valores.
O mais prudente seria aguardar e foi o que ele fez, pois ainda lhe sobrava algum dinheiro para tocar a vida. Mas a situação em que se encontrava não era tranquila. Seu estado emocional, sua mente confusa, não era nada agradável. Em alguns momentos tudo lhe parecia insuportável, como se não tivesse nenhuma razão de viver. Estado terrível que até lhe dava fortes dores de cabeça de tanto pensar e imaginar coisas. Queria trabalhar, mas não econtrava ânimo. O que ele poderia fazer, se não saberia fazer nada além daquilo que fez a vida inteira: convencer as pessoas de que o risco de investir em papéis volatéis tinha lá as suas vantagens.
Naqueles anos, o país vivia de fabricar papéis com $$$$$ estampados no frontispício e vendia a ilusão de lucro fácil para todos. Mas não era bem assim e Luiz sabia disso, mas ele ganhava a vida como vendedor de ilusões. Agora, no entanto, vivia uma situação inadequada, na qual para se mexer teria que arriscar a própria vida. E muitos foram mortos por isso…a ganância.

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